sábado, 4 de agosto de 2012

o amor na nova era

Eva Pierrakos                                                                                                                                                 Palestra 251
O NOVO CASAMENTO
Abençoados sejam as suas vidas, todos os seus pensamentos, esforços e realizações, meus queridos amigos.
As forças espirituais do Universo são tão poderosas que uma personalidade não purificada não é capaz de suportá-las. Essas fortes correntes manifestam-se como crise, dor e perigo na proporção da existência de negatividade e extorsão na mente e na consciência de um indivíduo. Não obstante, toda alma possui um profundo anseio de estar receptiva ao influxo divino da consciência crística e de fazer parte dela.
O desenvolvimento da instituição do casamento assume grande importância desse ponto de vista. É necessário agora uma visão mais profunda para que você possa ampliar e aprofundar a sua compreensão do casamento e utilizar esse conhecimento para articular o seu anelo. Esse é sempre o primeiro passo para a realização daquilo pelo qual você anseia.
Ao longo de muitos séculos da sua existência, a humanidade tem-se desenvolvido em muitas áreas. A consideração da evolução do casamento até aqui, portanto, abrirá a sua visão do futuro de forma que você verá a atitude atual com relação a essa instituição, tendo em mente um quadro mais amplo.
Só pode existir uma compreensão adequada da história quando o significado espiritual que subjaz aos eventos terrestres é reunido.
Em um passado não muito distante o casamento serviu a várias funções, mas menos que tudo, a partilha, ao amor ou à reciprocidade em todos os níveis da personalidade. De fato, o amor, a entrega sexual recíproca e a troca profunda de níveis de energia dinâmica eram rejeitados e condenados.
O casamento deveria ser um contrato financeiro e social para satisfazer outras funções de personalidade e motivos mais baixos. As vantagens financeiras e sociais eram de fundamental importância.
Ainda mais significativa era a absoluta convicção de que tais motivos eram moralmente corretos e virtuosos. Os homem casavam-se com mulheres que traziam um bom dote e que elevavam a sua imagem social. Em outras palavras, a ganância e a ambição eram embelezadas e legitimadas.
Os homens consideravam-se superiores às mulheres. Casar-se com uma mulher significava nada mais que adquirir uma escrava que obedecia ao senhor da casa; que providenciava para que o homem obtivesse todos os confortos e conveniências, mas que nada exigia para si mesma.
Em troca de tais serviços, que incluíam ser o objeto da luxúria, o mais das vezes  bastante impessoal do homem, a mulher recebia segurança material. A sua única responsabilidade era ser um objeto adequado para o seu senhor.
Naturalmente vocês devem entender, meus amigos, que a responsabilidade masculina abarcava muito mais que a mera responsabilidade financeira. Vez que a mulher não era tida como uma pessoa igualmente capaz, ela quase não era moralmente responsável.
Naqueles tempos, a responsabilidade emocional e mental não existiam como conceito, mas certamente tinham existência como fato. Mesmo sem consciência do conceito, os homens reconheciam tal responsabilidade em relação aos outros homens, porém desprezavam-na totalmente quando se tratava de mulheres.
Isso não era, obviamente, apenas um resultado da negatividade e da distorção do homem; resultavam também, na mesma medida, de uma intencionalidade fortemente arraigada na psique feminina.
As mulheres recusaram a responsabilidade por si mesmas em todos os níveis por um longuíssimo tempo e assim co-criaram o relacionamento desigual entre os sexos.
Ambos os sexos igualmente temiam - e ainda temem - as poderosas energias espirituais envolvidas nas forças do amor, de éros e da sexualidade entre o homem e a mulher. Esse Poder Cósmico é a própria torrente criadora da qual tudo é formado.
Essa poderosa corrente pode expressar-se sob muitas formas, e não apenas como uma força que liga um homem e uma mulher. Ela pode ser expressa através de disciplinas espirituais no interior de um indivíduo, fundindo os princípios masculino e feminino a corrente de poder dentro de uma alma individual.
A alma não purificada não pode suportar essa corrente de força. Na medida em que exista substância espiritual não purificada, como matéria podre, no interior da personalidade, a corrente de força tem que ser negada, suprimida e rompida. A sexualidade que se manifesta sem amor, compromisso e respeito é apenas uma dessas correntes cortadas e negadas.
Seres humanos que acreditam que o sexo pornográfico ou promíscuo dá mais prazer que a sexualidade que flui de um todo unificado e que se combina com o amor e com a união espiritual não poderiam estar mais errados. É verdadeiro o seu exato oposto. O poder de uma tal sexualidade, porém, é tão grande que não pode ser suportada pela alma que ainda vive parcialmente na escuridão.
Outro erro humano é a crença de que um casal em que exista fidelidade mútua está necessariamente além do estado de rompimento da sexualidade. O típico casamento de tempos passados, descrito acima, era uma supressão, repressão e negação completa das correntes espirituais de força. No homem, a negação ainda se manifesta com freqüência como uma incapacidade de experimentar fortes sentimentos sexuais pela mulher que ele ama, honra e respeita.
Por vezes o medo inconsciente da corrente de poder é tão forte que a ruptura é total e um homem se descobre incapaz de experimentar a sexualidade com uma mulher amada. Em muitos casos, porém, a ruptura existe com uma e a mesma mulher.
Um homem pode dar relativa honra e amor à mulher com quem se casou e ainda assim apagar a realidade dela durante o ato de união sexual. Esse ato só pode ser realizado quando a mulher se torna um objeto inferior na mente do homem. O sexo pornográfico pode ocorrer dentro da moldura de um casamento respeitável e é socialmente aceito sem restrições.
Em relação à mulher, a negação da corrente de força unificada freqüentemente manifestava-se em uma tal negação da realidade sexual do seu corpo. Sempre que a sua sexualidade se manifestava, apesar de todas as tentativas de negá-la, ela a experimentava como culpa e vergonha.
Hoje as incompreensões acerca de culpa e da repressão sexual no mundo de vocês são quase tão grande quanto sempre foram. As repressões e negações, as culpas e falsas vergonhas não apenas resultados de convenções sociais e influências intolerantes; antes são realmente produto da incapacidade de levar em si o poder da corrente de força totalmente unificada, cuja potência só pode ser suportada  por alguém pelo menos relativamente libertado da negatividade, do medo, da dúvida e da destrutividade.
A pessoa de tendências sexuais fortes que experimenta a sexualidade sem amor, sem uma função profundamente pessoal com uma outra  pessoa especificamente escolhida, e que seleciona de forma promíscua parceiros temporários sem coração ou mente, não é na essência diferente do moralista fiel a esposa com a qual se dedica a uma união sexual sub-reptícia como um dever marital.
Ambos têm medo da corrente de amor-sexo que é unificada através do poder de Eros, em virtude do poder da reciprocidade no desenvolvimento da alma a do compromisso mútuo através da purificação pessoal.
O relacionamento homem/mulher do passado e a atitude em relação ao casamento são resultados diretos do medo da corrente unificada de amor-sexo.
A autopurificação era praticamente inexistente para a pessoa comum, sendo apenas praticada de forma significativa nas igrejas. Mas ali, novamente, o poder total da corrente era diminuído pelo mandamento do celibato.
É verdade que algumas pessoas especialmente dotadas e avançadas evocavam esse poder através dos seus próprios esforços individuais. O êxtase místico é simplesmente a liberdade de uma corrente de força espiritual na qual Deus é experimentado como uma realidade viva e física.
Isso pode também idealmente ocorrer através da fusão de um homem e uma mulher que estiverem suficientemente livres do medo, que siga um caminho de autopurificação. A sua união libertará a corrente de força interior de forma que eles experimentem Deus em si mesmo e um no outro.
Antes de discutir mais essa experiência, voltemos aos estágios evolucionários da história. O quadro que tracei do casamento não é muito atraente; o casamento, tal como existiu por tato tempo era mais verdadeiramente um estado pecaminoso que todos os pecados que eram condenados pelos moralistas que perpetuaram tais padrões.
Esses moralistas dirigiam a acusação de pecado contra o sexo ilícito, o sexo promíscuo pornográfico que pode ser abertamente identificado. Verdade que tais atos realmente indicam a negação da unificação, dada por Deus, do amor e da sexualidade, da maior de todas as correntes de força, que em si mesma uma expressão da Presença Divina.
Em um certo sentido o medo e a negação são sintomas da alma impura - o espírito decaído, se você quiser dizer assim. Todavia, uma vez que vocês todos também preenchem uma tarefa em seu retorno ao estado de união com Deus, é inútil depreciá-lo. Aqueles que o fazem são eles mesmo espíritos decaídos, almas impuras e partem do mesmo movimento evolutivo.
A atitude apropriada em relação ao medo da corrente plena de força é a aceitação; um treinamento suave e necessário para que a personalidade possa gradualmente se aclimatar a essa força de grande poder e suportá-la confortavelmente. O êxtase pode, e vai, tornar-se confortável à medida em que a alma cresce em estatura, o que ocorre por meio de um processo de desenvolvimento que dura muitas encarnações. O verdadeiro caráter pecaminoso da atitude em relação ao casamento que prevaleceu até recentemente resultava de uma culpa secundária. Em vez de admitir o medo de amar a um igual, o homem teve que rebaixar a mulher. Em lugar de admitir o temor de amar um seu igual e de experimentar o prazer da sexualidade, a mulher teve que alienar-se do homem, fazendo dele um inimigo. Ao invés de admitir que temia uma relação nivelada, o homem teve que fazer da mulher um objeto. Em vez de reconhecer o medo de responsabilidade por si mesma em todos os níveis, a mulher fez de si própria um objeto e então culpou o homem por essa criação mútua.
Ambos os sexos negaram o medo, o que em um sentido mais profundo pode ser chamado de culpa primária, uma culpa que todas as pessoas compartilham.
A negação do medo causou culpas secundárias. Algumas delas deram poder a energia do self inferior. A ambição material foi alimentada; dinheiro, poder e vantagem social tornaram-se motivos para a escolha de parceiros. Imagens de massa, aparência auto-imagens idealizadas foram cultivadas; o orgulho e a vaidade foram erigidos em falsos valores morais.
Se considerar a indignação moral, o farisaísmo moral, de homens e de mulheres contra aqueles que se desviavam dos padrões aceitos, você poderá ver a força da culpa secundária.
A máscara declarou que a ganância, o interesse próprio calculista, valores orgulhosos de aparência e o uso mútuo de um pelo outro eram os mais altos padrões morais. Tais alegações vão muito além da hipocrisia comum. Uma hipocrisia tão profundamente arraigada e tão perniciosa requeria um forte desenraizamento, de outro modo a alma não poderá curar-se.
Meus amigos, é importante que vocês vejam a natureza da atitude quanto ao casamento através de muitos, muitos séculos. As pessoas que casavam por amor eram a grande exceção.
O estado coletivo de consciência criou essas condições na maioria dos casamentos do passado. O mesmo estado coletivo de consciência também criou condições cármicas, pré-requisitos de orientação específica  para encarnações subseqüentes. Por exemplo, o antagonismo que  existia entre homens e mulheres em geral tinha que manifestar-se especificamente entre homens e mulheres individualmente em um grau muito maior do que ocorre agora.
Freqüentemente era predestinado que dois indivíduos assim tivessem que se encontrar como parceiros em potencial para um casamento. Seus pais o providenciariam. Esse tipo de união tinha o propósito de revelar em cada pessoa sentimentos e atitudes negativos gerais e específicos, os quais, uma vez conscientes, tornaram-se a base para a transformação daquelas características.
Portanto, meus amigos, os casamentos formados no Céu não eram sempre, absolutamente, uniões positivas de amor e afeição, atração e respeito. A reciprocidade negativa entre muitos homens e mulheres individuais criou a consciência coletiva, as condições cármicas e também os padrões da sociedade.
Em tempos muito recentes a consciência deu um grande salto. A humanidade realmente ficou pronta para abandonar as velhas atitudes e criar novas condições, novos padrões, novos valores morais. Isso pode ser visto claramente no seu tempo por muitas mudanças dramáticas.
O movimento de libertação feminina, o movimento pela liberalização sexual e uma atitude muito diferente em relação ao o casamento são claros sinais de uma consciência recém surgida. Essas manifestações devem ser vistas à luz de uma direção evolutiva geral; de outra forma você não pode captar verdadeiramente o significado interior das mudanças.
Em todos os movimentos evolutivos o pêndulo tende a oscilar de um extremo ao outro. Isso é às vezes inevitável, por vez até desejável, desde de que as oscilações sejam limitadas. Quando, porém, elas são maiores que o necessário ou desejável, o fanatismo e a cegueira desenvolvem-se exatamente como ocorreu no extremo oposto.
A liberdade sexual de hoje, por exemplo, é uma reação aos grilhões do passado. Essa fase é necessária, até certo ponto, até que a sabedoria de uma nova consciência se torne completa e que a dedicação a um só parceiro seja experimentada como mais livre, mais liberada e infinitamente mais desejável que a troca descompromissada e flutuante de parceiros.
O ciclo tinha que mudar o compromisso monogâmico involuntário - com limitações concomitantes de crescimento tanto para os homens quanto para as mulheres - para reconhecimento dos efeitos debilitantes desse estado de coisas e uma conseqüente libertinagem e expressão poligâmica. Dali o movimento pode agora prosseguir para um novo embasamento na verdadeira liberdade e independência interiores que voluntariamente escolhem o compromisso monogâmico porque este contém infinitamente mais realizações.
O fato da necessidade sexual, bem como a necessidade de companheirismo estarem poluídas por fins oportunistas, materialistas e exploradores era um dos aspectos particularmente perniciosos na antiga atitude em relação ao casamento. E o que é ainda pior, tal poluição e deslocamento eram vistos como se fossem moralmente desejáveis.
Sempre que a corrente de uma alma é secretamente posta a serviço de outra, ambas se tornam negativas. Se fossem dados ao amor, a Eros e ao sexo ao seus lugares de direito, então as necessidades reais de sucesso, respeito da comunidade e abundância material poderiam funcionar à maneira do Self Superior.
A humanidade tinha que romper com a distorção e um pouco de confusão tornou-se inevitável. A revolução sexual tinha que se manifestar, por vezes, de maneira indesejável - mas apenas quando vista fora do contexto.
Naturalmente que as verdadeiras lições devem ser aprendidas individualmente. Essa lição é exatamente do que estou a falar. A antiga maneira precisava desesperadamente de uma mudança profunda. Uma nova expressão sexual e uma aceitação prazerosa do impulso sexual têm que emergir.
Ao mesmo tempo cada indivíduo, homens e mulheres precisam  compreender a enorme importância da inteireza do amor, de Eros e do sexo; da afeição e do respeito; da ternura e da paixão; da confiança e da parceria mútua; da partilha e do auxílio recíproco. Deve portanto ser compreendido que a defesa do relacionamento comprometido não é um decreto moralista cujo propósito é privá-lo do prazer, muito pelo contrário.
A corrente de força evocada por meio de uma fusão entre amor, respeito, paixão e sexualidade é infinitamente mais extasiante que qualquer fusão casual poderia ser. Ela é, de fato, tão poderosa que as próprias autoridades contra quem existiu tanta rebelião temeram essa corrente combinada mais que qualquer outra. Tais autoridades não estão assim tão distantes daqueles que se permitem experimentar a sexualidade de uma maneira mutilada, desligada do coração, ignorante da intimidade e da partilha real.
É importante que você conheça o estado ao qual pode chegar, com o tempo, pois ele é o seu destino inato. Sem esse mapa uma pessoa não pode guiar o seu navio.
Porém existe uma diferença sutil, ainda que distinta, entre seguir esse modelo organicamente e tentar, de maneira forçada, ser o que você ainda não se tornou. Aceite o fato de que não lhe é possível ser imediatamente o indivíduo ideal, totalmente unificado.
Você sabe que isso exige muito tempo, muita experiência, muitas lições, tentativas e erros, incontáveis encarnações até que a sua alma emerja como um ser completo. Você precisa saber que existe um tal estado, mesmo que ainda seja completamente incapaz de experimentá-lo. É preciso que você saiba sem pressionar a si mesmo, sem moralismo, sem desencorajar-se. Todas essas atitudes forçadas são destrutivas e errôneas.
A tentativa de forçar um padrão ideal no qual os indivíduos não podem absolutamente viver foi, infelizmente , feita por quase todas as religiões organizadas. É por isso que a religião organizada tem uma má reputação no presente.
O estado da integridade, de unificação, não deve ser um peso na sua consciência. Ela não deve jamais tornar-se um látego. Seu papel deveria simplesmente o de lembrá-lo de que você é em essência e que um dia será completamente.
É uma tolice descartar o casamento por causa das distorções do passado, da mesma forma que é tornar-se um ateu por causa dos erros da religião. Antes que muitas começassem a duvidar da validade do casamento enquanto instituição, a atitude em relação a ele já tinha começado a mudar de forma considerável, especialmente nas últimas décadas. Os indivíduos começaram a escolher livremente os seus parceiros, motivados geralmente pelo amor.
Isso também com freqüência levou a erros. Indivíduos que eram muito jovens e imaturos para formar uma união realmente significativa escolheram o casamento baseado na atração superficial, sem um conhecimento profundo de si mesmos e do parceiro. Não espanta que esses casamentos não pudessem durar. Mas esse estágio era necessário antes que a maturidade pudesse ser conquistada.
Assim como o indivíduo, a consciência coletiva não pode aprender a menos que cometa erros. Ambos têm que tentar maneiras novas antes que a alma possa alcançar a sabedoria e a verdade.
A liberdade de escolher a forma independente, de experimentar o prazer sexual e erótico, de cometer erros e aprender com eles, de formar relacionamentos diferentes e mais maduros como parte do processo de crescimento, sem condenar os menos maduros, tudo isso é necessário para aprender o real significado do casamento.
Este tem que ser visto não como um grilhão imposto por uma autoridade moralista externa ou interna, mas como uma dádiva livremente escolhida, o melhor e mais desejável estado que se possa imaginar, o prazer e preenchimento mais profundo, para os quais a alma tem que se tornar forte, flexível madura e capaz.
Bem-aventurança, êxtase, prazer supremo  jamais podem existir gratuitamente, muito menos ser obtidos a um baixo preço.
Assim eles não poderiam ser suportados, o que ocorre somente quando a personalidade atingiu suficiente purificação, segurança, fé, autoconhecimento, compreensão do Universo - o Estado de Cristo.
A liberação sexual tem que passar por alguns estágios que podem parecer exagerados, ou talvez até o sejam, antes que a libertação mais avançada - a unificação do amor, de Eros e do sexo - possa criar o casamento da Nova Era.
Os encontros sexuais fugidios não devem ser vistos como o estado final da liberação. Eles são, no máximo, uma fase muito temporária e limitada. Ninguém que tenha experimentado esse estágio jamais foi verdadeiramente satisfeito, nem mesmo no nível puramente físico.
Você pode se iludir pensando que isso é o melhor que você poderia ter a esperança de experimentar, mas não é assim. Você pode negar o seu anseio profundo não preenchido porque uma parte dele foi aplacado, porém há um caminho ainda muito longo a percorrer para que você se dê aquilo que realmente precisa, quer deseja e aquilo que deve realmente ter.
De modo idêntico à revolução sexual, também a libertação da mulher tinha que ir a certos extremos - pelo menos temporariamente. Assim, algumas mulheres tinham que tornar-se tão duras, tão inflexíveis quanto o seu maior inimigo, o homem, para que pudessem experimentar a sua força, sua capacidade de ser independentes, responsáveis por si mesmas, criativas e engenhosas.
Enquanto isso for uma fase passageira da qual surjam mais mudanças, tudo bem; mas quando é visto como um fim ideal torna-se tão prejudicial quanto ser mulher-criança que você não quer e não precisa mais ser.
A mulher da Nova Era combina independência, responsabilidade própria e a total capacidade da idade adulta com a suavidade e a flexibilidade que eram antes associadas apenas ao parasita dependente. Por sua vez, o homem da Nova era combina os seus sentimentos do coração, a sua suavidade, sua gentileza com sua força e suas capacidades, não da mesma forma que a mulher, mas de modo complementar: assim os dois podem formar o casamento da Nova Era.
O casamento da Nova Era não será formado na juventude e, caso os participantes sejam jovens, eles terão atingido uma considerável maturidade como resultado de um trabalho interior intenso e genuíno, tal como esse Pathwork. O casamento da Nova era é um núcleo de força, com os parceiros revigorando-se mutuamente, e também a outros, em uma tarefa assumida em comum para a Causa Maior.
O novo casamento é totalmente aberto e transparente. Nele não existem quaisquer segredos e os processos da alma dos parceiros são inteiramente compartilhados. Esse tipo de abertura e transparência tem que ser aprendido: ele é, por assim dizer, um caminho dentro do Caminho, a exposição da dificuldade em alcançar essa abertura ao invés da tentativa de negá-la ou escondê-la
Parte da abertura consiste em revelar o medo causado pela forte corrente espiritual, pelas forças libertadas pela unificação da sexualidade com o coração. Quando o medo é compartilhado - mesmo que não se seja ainda capaz de abandoná-lo - as obstruções serão eliminadas de forma relativamente rápida e um tipo de preenchimento vibrante nascerá do próprio ato de compartilhar.
No casamento da Nova Era, estar em um caminho de profundo autodesenvolvimento e de trazer a luz as partes ocultas do self são pré-requisitos para a realização em um relacionamento vivo e vibrante. Quando a vibração desaparece as causas precisam ser exploradas conjuntamente por ambos os parceiros. Pode haver um grande número de causas para a estagnação sem que nenhuma dela seja necessariamente má ou vergonhosa.
Quando todos os níveis de ambas as personalidades estiverem abertos um para o outro, quando se reunirem e, finalmente, fundirem-se, a intensidade e vibração do encontro sexual ultrapassarão qualquer coisa que se possa atualmente imaginar.
Você anseia profundamente por isso porque tal preenchimento é o seu direito inato e o seu destino. Ele só pode existir em uma parceria tal como descrevi acima.
Esse tipo de fusão não pode surgir facilmente, mas é produto de paciência, crescimento, mudança e transformação infinitos. Ela deve, porém, viver em sua visão como uma possibilidade que você pode de fato realizar um dia.
A fusão em todos os níveis da personalidade significa fusão de todos os corpos energéticos e tal coisa muito raramente ocorre. Você saberá quando a fusão ocorre apenas no nível físico e quando ocorre nos níveis emocional, mental e espiritual. Todos esses corpos energéticos existem na realidade e podem fundir-se ou não de acordo com as condições dominantes. Quando acontece a fusão em todos os níveis, você não apenas se torna um com o seu parceiro mas também com Deus. Você percebe Deus no seu parceiro e em você mesmo. Não surpreende, pois, que a corrente de força seja muito poderosa para ser suportada a menos que as personalidades envolvidas tenham atingido um elevado grau de desenvolvimento e purificação interiores.
Uma vez que você perceba que a fusão sexual é insuficiente e desinteressante a menos que inclua todos os corpos de energia no processo da união, a sua visão de um encontro sexual ficará bem diferente. A união sexual nunca será casual ou aleatória: você vai considerá-la um ritual sagrado.
Tais rituais serão criados por cada casal e podem mudar com o tempo. Não vão jamais deteriorar em rotinas fixas. O encontro sexual é uma verdadeira fusão entre os princípios masculino e feminino como Forças Universais. Cada fusão sexual será um ato criador, dando origem a novas formas espirituais, novas alturas de desenvolvimento nos dois seres que pode ser passado para outros.
A fusão complementar desses dois aspectos divinos - as forças masculina e feminina - criarão não apenas preenchimento total, êxtase e felicidade, mas também novos valores duradouros e uma verdadeira experiência da realidade divina, do Cristo no self e no outro.
Meus amados amigos, esta palestra não deve de modo algum desencorajá-los, não importa o quão distantes vocês possam aparentemente estar no preenchimento do destino que eu traço aqui. Vocês estão a mover-se na direção correta simplesmente por serem capazes de compreender esta palestra, por estarem aptos a escolher usá-la da maneira mais positiva, estejam onde estiverem.
O conhecimento dessa verdade vai libertá-los, como deve fazer qualquer verdade, mesmo que não possam alcançar a sua realização nesta vida. Alegrem-se porque ela existe, porque ela os aguarda. Conheçam essa verdade como um enriquecimento que lhe é ofertado.
Existe uma tremenda tensão entre as correntes energéticas masculina e feminina que pode manifestar-se de forma negativa ou positiva. Caso se manifeste negativamente a sexualidade é carregada de negações, tais como homossexualismo, repressão, assexualidade, impotência, frigidez ou de expressões negativas como sadismo, masoquismo, feiticismo.
Pode ser necessário, até certo ponto, dar alguma expressão à sexualidade negativamente conectada pois, caso seja completamente negada, a personalidade como um todo estará sendo limitada e a tensão acumulada é tão poderosa que passa a se expressar como violência não sexual.
Se tais expressões ocorrerem na fantasia ou em situações de  consentimento mútuo onde ninguém é machucado ou forçado, lhes podem conduzir a uma sexualidade mais coesa e conectada, especialmente quando esse processo não é glorificado, mas compreendido em sua verdadeira significação.
Quando a tensão se manifesta positivamente, o casamento da Nova Era é realmente um ponto nuclear psíquico. A energia liberada, a criatividade libertada, a reciprocidade do êxtase são todas experiências profundamente espirituais - em, através de e com Deus.
A sexualidade enquanto força divina deve ser conhecida na  Nova Era como a força total explosiva da tensão macho-fêmea que permeia toda a personalidade e transcende o finito. Ela com efeito espiritualiza o corpo e materializa o espirito, o que é a tarefa da evolução.
Com isto eu os abençôo, meus amados. O Cristo no seu Self mais profundo funde-se com o Cristo-Consciência e com aquelas energias que os cercam e os enchem de amor, força e bênçãos.

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