quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

a rotina

Não faz muito eu perguntei para o Caju se ele achava que a gente estava ficando sem assunto. Se a gente não estava convivendo demais, juntos demais... e se tudo isso não nos levava a uma rotina, uma falta de surpresa, um esvaziar do frio na barriga. Ele discordou. Ainda bem. O medo da rotina é meu, então. E não passou. Eu trabalho para aceitar o fim do encantamento que dá lugar ao dia-a-dia, o fim da paixão que dá espaço ao amor. Mas a verdade é que tenho pavor da mesmice em qualquer recorte que a vida parece ter.

Daí ontem eu resolvo sair do trabalho direto para um mergulho no lago. E que aquele seria o primeiro de 300 dias de inovação em 2013. Viver há de ser mais que passar os dias!

Daí hoje eu me pego histérica por uma decisão simples de quem vai deixar quem primeiro no trabalho, quem vai chegar mais atrasado (basicamente). E hoje eu percebo que, para mim, maior que fugir da rotina é aprender a fugir da raiva que me inunda ao tropeçar nas pedrinhas do cotidiano. Esta lua em áries!!!

Como é precioso, rico, tenso e intenso esta experiência de se relacionar.

* * *

O melhor que fazes, respondi ao marido em fúria, é sumir por uns dias, inventar uma viagem, e dar todo tempo do mundo ao infeliz desse amante.
Banalizar o amante, meu caro e bom Amaro.
Entendeste?
Deixar que eles durmam e acordem juntos por vários dias seguidos. Que tenham seus problemas, que percam o luxo dos encontros fortuitos e vespertinos, que se esbaldem.
É necessário deixar a Bovary sentir o bafo matinal da rotina.
A vida dos amantes dura porque eles só vivem as surpresas e valorizam cada minuto do relógio que põem sobre a cabeceira daquele motel barato.
Nada mais cruel para o amante da tua mulher que presenteá-lo com o pão-com-manteiga do dia-a-dia. A rotina é o cavalo de tróia do amor.
Amaro, nada de violência ou besteiras desse naipe.
Ao amante, todas as chances do mundo. Ao amante aquela D.R., a famosa discussão de relação, em plena TPM.
Um amante nunca sabe o que venha ser uma mulher sob o domínio da TPM. Ela faz questão de reservar todos os direitos desse ciclo ao pobre marido.
Ao amante, Amaro, a tapioca fria e sem recheio da rotina do calendário.
Ao amante, Amaro, a falta de assunto.
Ao amante, os cabelos revoltos da mulher, naqueles dias em que nem mesmo ela se agüenta ou encara o espelho. Naqueles dias em que os cabelos brigam com as leis do cosmo e não há pente ou diabo que dê jeito.
Some, Amaro, depois me conta.
 Isto é do Xico Sá, daqui.

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